Jornal Imigrantes»Notícias»Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos

Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos

Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos

O cenário para quem precisa de crédito no Brasil não é favorável, e a expectativa é de que continue assim pelos próximos meses. Economistas, analistas e os próprios bancos privados preveem um segundo semestre difícil, com juros altos e o orçamento das famílias comprometido.

Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco, afirmou que o ciclo do crédito será desafiador e que o mercado vive um excesso de oferta. O executivo disse que o banco prefere abrir mão de crescimento a lidar com a inadimplência no futuro. O Bradesco também adotou tom de cautela e reduziu a oferta de crédito pessoal, priorizando operações com garantia.

Essa preocupação aparece nos balanços dos três maiores bancos privados do país. No segundo trimestre, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander reservaram juntos R$ 28,7 bilhões para cobrir possíveis calotes, um aumento de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025. A carteira de crédito dessas instituições cresceu menos, 9,4%, somando R$ 3,37 trilhões.

A inadimplência do sistema financeiro atingiu em maio o maior nível da série histórica do Banco Central, com 4,74% dos empréstimos atrasados há mais de 90 dias. Em junho, o indicador caiu para 4,68%, ainda acima da média histórica de 3,29%. Flávio Ataliba, pesquisador do FGV IBRE, explica que a taxa básica de juros em 14% e a percepção de risco fiscal elevam o custo do dinheiro. A inflação dos alimentos também pesa, consumindo mais de 23% do orçamento das famílias com renda de até um salário mínimo.

O endividamento das famílias também chegou a um ponto máximo. Em janeiro, o comprometimento da renda com dívidas em bancos atingiu 49,93%, o maior valor desde 2005. A tendência, segundo analistas, é que a inadimplência piore ou se estabilize no segundo semestre, com a desaceleração da economia.

Os bancos já estão restringindo o crédito para consumidores de baixa renda e preferem linhas com garantia, como consignado CLT, financiamento imobiliário e de veículos. O Santander teve o pior balanço entre os pares, com lucro abaixo do esperado. O Itaú revisou para baixo a projeção de crescimento da receita com serviços e seguros para 2026. O Bradesco mantém a meta de expansão da carteira, mas espera uma desaceleração nas concessões.

Avatar photo

Sobre o autor: Sofia Almeida

Ver todos os posts →
Ver todo o conteúdo