O publicitário Thiago Miranda, investigado pela Polícia Federal sob suspeita de coordenar ataques ao Banco Central a mando de Daniel Vorcaro, do Banco Master, informou nesta segunda-feira (13) que está encerrando as atividades de sua empresa, a agência Mithi, e irá tirar um período sabático.
“Estou cansado. Foram dez anos ininterruptos, vivendo a agência 24 horas por dia, sem parar. Agora, quero aproveitar um ano sabático antes de pensar no meu próximo negócio. Estou bem, feliz e profissionalmente realizado”, diz Miranda em nota divulgada nas redes sociais.
A nota afirma também que Miranda liderou estratégias para nomes influentes da política ao longo da última década, esteve nos bastidores de “algumas das maiores crises do Brasil e do mundo” e está encerrando “um dos ciclos mais marcantes da comunicação brasileira”.
O anúncio ocorre poucos dias após uma operação de busca e apreensão da PF contra Miranda, contratado para o projeto de gestão de crise de Vorcaro. A PF apreendeu celulares e equipamentos eletrônicos utilizados pelo publicitário em sua residência. Ele nega qualquer irregularidade.
A PF afirmou que a operação contra Miranda investiga a ação coordenada em redes sociais para, em tese, comprometer a credibilidade da atuação do BC. Contratos com influenciadores que atacaram a autarquia e os investigadores do caso Master, firmados pela agência Mithi, chegavam a R$ 8 milhões.
A maioria deles, no entanto, foi interrompida após a PF começar a investigar o bombardeio contra o BC, em janeiro. Dos R$ 8 milhões descritos nos contratos, Miranda fez pagamentos de R$ 3,5 milhões entre o fim de dezembro de 2025 e 5 de janeiro deste ano. As transferências ocorreram após ele ter recebido o mesmo valor da Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro.
Diálogos entre o ex-banqueiro e Miranda, entre março e abril de 2025, também mostraram tentativas dos dois de “frear” o trabalho da jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo, realizando uma busca por seus dados privados. Vorcaro também teria encomendado um dossiê contra o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, ao publicitário.
As investigações apuram a atuação de possível organização criminosa dedicada à intimidação de jornalistas, ao monitoramento ilícito de pessoas ligadas a autoridades públicas, à obtenção indevida de informações sigilosas e à adoção de medidas destinadas a interferir em investigações criminais.
Segundo a PF, os fatos investigados podem, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro nacional, organização criminosa, embaraço à investigação de organização criminosa, além de outros delitos correlatos, incluindo possíveis violações de dados e de dispositivos informáticos.
No dia 9 de julho, data em que ocorreu a operação da PF, a defesa de Thiago Miranda afirmou que o publicitário “refuta de forma categórica” a prática de qualquer ilegalidade e sustenta que sua atuação profissional sempre foi pautada pela legalidade, transparência, respeito às instituições e à liberdade de expressão.
Segundo os advogados, ele não praticou qualquer ato criminoso nem participou de condutas destinadas a intimidar, coagir, constranger ou violar direitos de terceiros. A nota afirma também que a existência de uma investigação não autoriza um juízo antecipado de culpa e pede o respeito às garantias constitucionais, como o devido processo legal, a ampla defesa, o contraditório e a presunção de inocência.
