Um avião da frota pessoal de Daniel Vorcaro segue operando entre América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio mesmo após a prisão mais recente do ex-banqueiro, ocorrida em 4 de março deste ano. Segundo dados de localização da aeronave, todos os voos tiveram como origem ou destino Assunção, capital do Paraguai, e o jatinho não passou pelo Brasil em nenhum momento.
A defesa de Vorcaro não explicou os motivos para o uso do avião, e não há registros públicos sobre os passageiros. Desde a segunda prisão do ex-banqueiro, há cinco meses, foram realizados 16 voos internacionais. Enquanto Vorcaro negociava uma delação premiada na prisão, em Brasília, o avião passou por Nova York, Mônaco e Dubai, entre outros destinos.
O jato de prefixo PR-PSE foi comprado por Vorcaro em junho de 2023 por cerca de R$ 120 milhões e está registrado em nome da Viking, holding patrimonial do ex-banqueiro. A matrícula da aeronave possui duas ordens judiciais determinando seu bloqueio, o que impede a venda ou transferência do bem. Não há informações no Registro Aeronáutico Brasileiro de que o avião tenha sido sublocado.
O Gulfstream modelo GV-SP, fabricado em 2010, era o mais caro da frota da Viking, composta por três aeronaves. Vorcaro utilizava o jato com frequência, tanto para deslocamentos próprios quanto para emprestá-lo a terceiros. A aeronave está fora do país desde 20 de agosto de 2025, meses antes da primeira prisão do ex-banqueiro, quando deixou Belo Horizonte rumo à Flórida, nos Estados Unidos. A prisão de Vorcaro e a liquidação do Master ocorreram três meses depois, em 18 de novembro.
Especialistas em direito aeronáutico consultados avaliam que o atual usuário do avião pode estar evitando o Brasil por receio de que o jato seja apreendido pela Polícia Federal, que investiga possíveis crimes de Vorcaro. A defesa do ex-banqueiro foi procurada desde o dia 6 de agosto para comentar o caso, mas não respondeu aos questionamentos.
Movimentações após a prisão
Vorcaro está detido desde 4 de março e atualmente cumpre prisão no Núcleo de Custódia da Polícia Militar, o Papudinha, em Brasília. Dez dias após a prisão, em 14 de março, o jato saiu da Flórida rumo a Assunção, que se tornou sua nova base. A aeronave estava no aeroporto de Fort Lauderdale desde 15 de janeiro, onde permaneceu parada por dois meses.
Após chegar a Assunção, a atividade do jatinho aumentou. Em 16 de março, ele voltou a Miami e retornou a Assunção em 20 de março. Quatro dias depois, seguiu novamente para Miami, onde ficou até 19 de abril. Naquele dia, o avião voou para Paris, com paradas em Barbados e Hannover. Em 22 de abril, deixou a capital francesa e retornou a Assunção.
Em 28 de abril, o jato fez novo voo de Assunção para Nova York. Dois dias depois, seguiu de Nova York para Dubai, com parada em Malta, no mar Mediterrâneo. A primeira prisão de Vorcaro, em 18 de novembro de 2025, ocorreu quando o ex-banqueiro embarcava para Dubai, com plano de voo informando Malta como destino para abastecimento. Desta vez, o jato foi até Dubai e voltou para Assunção em 6 de maio, com parada em Luanda, capital de Angola.
Em 9 de maio, o avião partiu para Nova York e, cinco dias depois, deixou a cidade americana rumo a Anguilla, no Caribe, onde ficou por três dias antes de voltar a Assunção em 17 de maio. Em 28 de maio, a aeronave seguiu para Mônaco, de onde retornou em 3 de junho. A última viagem ocorreu em julho, com partida para a Filadélfia em 17 de julho e retorno a Assunção no dia 20, com parada em Washington.
Uso por terceiros
O Gulfstream era citado com frequência por Vorcaro em conversas com a ex-noiva Martha Graeff, com cinco menções à aeronave. Martha usou o avião em 1º de junho de 2024 para encontrar Vorcaro em Arusha, na Tanzânia. Em 20 de agosto daquele ano, o casal usou a aeronave para ir da Flórida à Croácia. Em 29 de dezembro, Martha voltou a usar o jatinho para encontrar Vorcaro em São Paulo. Em 2025, foram duas menções: um voo de Martha em 12 de maio, da Flórida para São Paulo, e um voo de Vorcaro de Gênova, na Itália, para Orlando, em 29 de agosto.
Segundo a revista Piauí, o nome de Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Jair Bolsonaro, aparece na lista de passageiros de uma viagem a Nova York feita no avião. Faria afirmou à publicação que ele mesmo pagou pela viagem. Registros do aeroporto executivo de Brasília mostram ainda que Vorcaro usou o jatinho em 2 de fevereiro de 2025 para ir de Brasília a Trancoso, na Bahia.
Em setembro de 2025, Vorcaro vendeu 55% da Viking ao Stern Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Segundo o agente responsável pela liquidação do banco, a operação manteve a empresa sob o domínio do grupo. O Stern pertence aos fundos Nauatle, sediado no Brasil, e Faex Fund, domiciliado nas Bahamas. O liquidante do Master afirma que o Faex Fund pertence ao próprio Master.
