Israel informou nesta segunda-feira (3) que levou aos Estados Unidos suas objeções sobre o plano para Gaza apresentado pelo presidente americano, Donald Trump. A declaração foi feita enquanto o Exército israelense seguia com bombardeios no território palestino, após o Hamas ter aceitado o desarmamento.
O caso escancara o distanciamento entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Ele enfrenta uma disputa eleitoral acirrada em outubro e tenta reforçar sua ligação com o líder americano.
O gabinete de Netanyahu cobra do Hamas um desarmamento mais claro. Na sexta-feira, o grupo afirmou que entregaria as armas, conforme o plano de Trump para encerrar a guerra. O acordo também prevê a saída gradual das tropas israelenses de Gaza.
“Israel transmitiu suas observações e preocupações sobre o plano proposto às nossas contrapartes americanas. A versão que foi tornada pública não reflete as posições de Israel”, disse Doron Spielman, porta-voz do gabinete do premiê, em resposta à AFP.
Spielman acrescentou que os serviços de inteligência israelenses identificaram que o Hamas está se rearmando e recrutando desde o cessar-fogo anunciado por Trump em outubro de 2025.
A trégua reduziu a força dos combates e dos bombardeios, mas Israel manteve os ataques. O país afirma que mira combatentes do Hamas ou suas infraestruturas, o que é questionado por fontes em Gaza.
Uma fonte local disse à AFP que 19 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas desde domingo em “mais de 10 ataques efetuados por aviões de combate israelenses”.
Desde a assinatura da trégua, mais de 1.200 palestinos morreram na Faixa de Gaza, conforme as autoridades do território. O Exército israelense diz ter perdido cinco soldados no mesmo período, além de um civil.
Trump classificou seu plano para Gaza como um “marco importante” para encerrar a guerra iniciada pelo ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Ele também disse à imprensa que Israel estava “muito satisfeito” com o andamento das negociações.
O porta-voz de Netanyahu rebateu. Segundo ele, as ações do Hamas mostram que o grupo se preparava para “novos massacres do tipo de 7 de outubro”. Ele lembrou que o plano, divulgado pelo “Conselho de Paz” de Trump, previa que Gaza virasse “uma zona desmilitarizada, desradicalizada, livre do terrorismo e que não representasse nenhuma ameaça para seus vizinhos”.
“Esta visão entra em contradição direta com a realidade atual e com as intenções declaradas do Hamas. O primeiro passo indispensável para qualquer acordo duradouro é a desmilitarização real, verificável e irreversível do Hamas”, afirmou.
“Qualquer medida que não conduza a uma desmilitarização completa deixaria o Hamas em condições de voltar a ameaçar Israel”, completou.
Uma fonte política israelense disse no fim de semana que o país, que ainda controla a maior parte da Faixa de Gaza, não retiraria suas forças sem antes verificar o desarmamento do grupo palestino.
