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Bruno Gagliasso questiona: por que homens não choram?

Bruno Gagliasso precisou sair de casa enquanto rodava o filme “Por um fio”. Na produção, que estreia em outubro e é baseada no livro homônimo de Drauzio Varella, o ator de 44 anos interpreta o irmão do médico, que morre de câncer. Na tela, sua atuação emociona à medida que a doença avança e ele entra em um estado de tristeza. O trabalho mexeu com seu corpo — ele perdeu 24 quilos — e com sua cabeça, tornando-o mais sensível. Nem a família aguentou a situação. Bruno assume que leva o personagem para casa e, por isso, diretores o definem como “intenso”.

O ator participou do videocast “Conversa vai, conversa vem”, do GLOBO, que foi ao ar no dia 21 de maio. Durante a entrevista, ele falou sobre a preparação para o filme e o impacto emocional do papel. “Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”, disse Bruno.

Ele também comentou sobre sua dificuldade em separar o trabalho da vida pessoal. “Eu levo o personagem para casa, não sei separar meu trabalho. Preciso ficar pensando nele 24 horas”, afirmou. Bruno destacou que admira atores que conseguem fazer essa separação, como Tony Ramos, mas que ele precisa se dedicar integralmente aos papéis.

Novos projetos e diversidade de personagens

Bruno Gagliasso tem uma série de novos projetos previstos para os próximos anos. Ele interpretará um líder estudantil no longa “Honestino”, um escravocrata moderno em “Corrida dos bichos”, uma versão branca e de olhos azuis do herói nacional em “Makunaíma XXI”, um perigoso dono de construtora na série “Rauls” e um playboy traficante na sétima temporada de “Impuros”.

O ator também falou sobre sua primeira produção no cinema, “Clarice vê estrelas”, dedicada à sua filha Titi. O filme tem uma família preta como protagonista, com 80% do elenco e 90% da equipe preta. “É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer, passar fome, tomar tiro”, explicou Bruno. Ele convidou o jogador Vini Jr. para ser produtor associado do projeto.

Sobre a importância de contar a história do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido político, Bruno afirmou: “Se estive do lado da escória da História, também quero estar do lado certo. Honestino morreu 50 anos atrás. E a nossa luta ainda é por justiça, liberdade e democracia até hoje”.

O ator também abordou questões pessoais, como sua altura de 1,70 metro e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDHA). Ele disse que já se preocupou com a estatura, mas que hoje não é mais uma questão. Sobre o TDHA, revelou que foi expulso de três escolas e que toma remédio desde sempre. “Não decoro texto. Estudo, entendo o sentido. O que adianta falar uma palavra sem alma?”, questionou.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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