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BC multa Banco Genial em R$ 21,6 mi e inabilita CEO

BC multa Banco Genial em R$ 21,6 mi e inabilita CEO

O Banco Central multou o Banco Genial em R$ 21,56 milhões por irregularidades em operações de câmbio, falhas na comunicação de operações suspeitas ao Coaf e deficiências nos controles internos. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (12) pelo Copas (Comitê de Decisão de Processo Administrativo Sancionador) da autoridade monetária.

O comitê também determinou a inabilitação do CEO do banco, André Schwartz, que foi multado em R$ 516 mil. Outros dois executivos da instituição também foram punidos, com multas que somam R$ 912 mil, e um deles também foi inabilitado.

Segundo o relator do caso, Climério Leite, Schwartz, quando era diretor responsável pelas operações de crédito entre 2017 e 2021, participou da contratação de US$ 520 milhões com clientes não certificados, considerados sem qualificação para a operação. O relator afirmou que o executivo não demonstrou qualquer conduta para mitigar as irregularidades.

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, acompanhou o voto de Leite e afirmou que, dado o contexto da lei, Schwartz será afastado da instituição e de seu mandato como CEO. A chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro (Deorf), Carolina Bohrer, também votou a favor da punição.

Em nota, o Banco Genial afirmou que cumpriu todas as normas aplicáveis na época dos fatos e que o Copas interpretou eventos de mais de cinco anos atrás com base em regras que só entraram em vigor em fevereiro deste ano. A instituição disse ainda que o processo resultou em 21 absolvições, o que, segundo o banco, demonstra o exagero e a injustiça da acusação. O Genial declarou que adotará as medidas cabíveis para anular as condenações que considera injustas.

O comitê também multou William Kenzo Yoshiro em R$ 732 mil pela atuação no câmbio. Ele foi considerado responsável pela contratação de US$ 687 milhões com clientes não certificados, em operações feitas entre março e outubro de 2021, e foi inabilitado por seis anos. Luis José Rebello de Resende, que foi diretor de controles internos do Genial até 2025, foi multado em R$ 180 mil.

Uma das acusações aponta que, entre novembro de 2020 e outubro de 2021, o Genial fez 2.038 operações de câmbio com nove clientes, totalizando US$ 1,208 bilhão, sem certificar adequadamente a qualificação e a capacidade financeira deles. Quatro desses clientes movimentaram US$ 1,154 bilhão em ativos virtuais. O banco alegou que adotava análise rigorosa, que a pandemia impediu visitas presenciais e que as operações eram de arbitragem com limites compatíveis com o caixa dos clientes. O BC contestou, afirmando que saldo pontual de caixa não comprova fluxo financeiro e que extratos indicavam recursos vindos de contrapartes e atividade de intermediação.

O BC também acusou o Genial de ter estrutura de controles internos e avaliação de risco incompatíveis com seu porte. O banco argumentou que o período foi ampliado indevidamente e defendeu a robustez de seus manuais e políticas. O órgão regulador aceitou parte da defesa, mas concluiu que persistiam deficiências em riscos, efetividade de controles e registro de boletos.

Por fim, o banco foi acusado de atrasar ou omitir comunicações ao Coaf sobre 502 operações suspeitas de um cliente, que somam US$ 421,18 milhões. O Genial alegou que o porte do cliente justificava os volumes, afastando suspeitas de ilicitude. No entanto, o BC considerou haver irregularidade devido à demora em reportar uma situação atípica que já era do conhecimento do banco desde dezembro de 2021.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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