O vice-presidente, Geraldo Alckmin, se reuniu na tarde de segunda-feira com representantes do setor de atacarejo. No encontro, ouviu propostas para restringir o avanço das bets, principalmente as ilegais, sobre a renda disponível para consumo.
O porta-voz das sugestões foi Belmiro Gomes, CEO do Assaí e presidente do conselho da Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço (Abaas). Os membros da associação venderam R$ 370 bilhões no ano passado. Eles argumentam que as plataformas de apostas, junto com o alto endividamento, estão entre os principais motivos da fragilidade do consumo.
A coluna teve acesso à apresentação feita a Alckmin, chamada “A roda da economia está travando — hoje no consumo e no endividamento das famílias. Amanhã, na economia inteira.” A associação afirma que o consumo se partiu em dois, com expansão dos canais de alta renda e retração dos da classe C, o chamado “efeito K”.
A apresentação ainda diz que o Brasil concentra mais de um quinto do tráfego mundial para sites de aposta. Também afirma que métricas oficiais convivem com uma economia paralela de tamanho subestimado.
Propostas do setor
As sugestões do atacarejo a Alckmin têm duas frentes. Uma é um “horizonte imediato”, de até 12 meses. A outra é um “horizonte estrutural”, de cinco a dez anos.
No curto prazo, o setor pede “quatro vetores de bloqueio integrados” contra bets ilegais: URL, Pix, publicidade e patrocínio cruzado. Quer também restrição firme à publicidade de cassino online, sem afetar a quota fixa esportiva regulada para preservar clubes. Sugere ainda bloquear o Pix social para CNPJs de bets.
No longo prazo, o setor defende uma política de Estado nos moldes do tabaco, que reduziu o tabagismo em 74% em 35 anos sem proibir o cigarro. Pede que as bets fiquem sob o Ministério da Saúde e sejam tratadas como política sanitária, com linguagem clínica, foco no dano à família e tratamento de ludopatia via SUS.
Além de Belmiro Gomes, o encontro teve a presença do presidente da Friboi, Renato Costa, e do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa, segundo a agenda oficial de Alckmin.
Em outra frente, a XP confirmou a saída de um shopping de alto luxo em São Paulo por R$ 20 milhões. A transação envolve a venda do empreendimento e faz parte da movimentação no mercado imobiliário da capital paulista.
