A Warner Bros. Discovery (WBD) anunciou na última terça-feira que reabrirá as negociações com a Paramount Skydance, após receber uma isenção de sete dias da Netflix. Essa decisão surge em meio a um cenário de intensa competição no setor de streaming, onde a Paramount fez uma oferta hostil para adquirir a totalidade da WBD, avaliando suas ações em US$ 30 cada.
A isenção, concedida pela Netflix, permite que a WBD busque “clareza” em relação à proposta da Paramount, que inclui uma oferta em dinheiro. Segundo comunicado da WBD, a Paramount já declarou que sua oferta de US$ 30 por ação não é seu “melhor e definitivo” valor. Recentemente, a Paramount tentou melhorar sua proposta com “realces adicionais”, mas não aumentou o valor por ação.
Durante o período de isenção, a WBD se comprometeu a dialogar com a Paramount para abordar as deficiências que permanecem não resolvidas e esclarecer termos do acordo de fusão proposto. O CEO da WBD, David Zaslav, enfatizou que o foco da companhia é maximizar o valor e a certeza para os acionistas da WBD. Ele afirmou que a empresa está buscando uma proposta que ofereça valor superior e certeza.
Por sua vez, o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, justificou a concessão da isenção como uma forma de trazer clareza aos acionistas, que têm enfrentado confusão devido à comunicação direta da Paramount com os investidores, contornando a diretoria da WBD. Ele também se absteve de comentar sobre até onde a Netflix estaria disposta a ir em uma nova oferta, que atualmente é de US$ 27,75 por ação.
A Paramount, enquanto isso, anunciou que continuará com sua oferta de compra e planeja indicar diretores para o conselho da WBD durante a reunião anual de acionistas. A WBD também confirmou que uma reunião especial de acionistas será realizada em 20 de março, e seu conselho ainda recomenda unânimemente o acordo com a Netflix em detrimento da proposta da Paramount.
Ambos os negócios propostos levantam questões regulatórias. Especialistas da indústria e legisladores expressaram preocupações sobre se um acordo entre a Netflix e a WBD poderia receber aprovação, dado que uniria duas das principais plataformas de streaming, o que poderia resultar em aumentos de preços para os consumidores. A Netflix acredita que sua proposta será aprovada, uma vez que promete preservar empregos em um setor que enfrenta demissões.
Por outro lado, a Paramount argumenta que sua oferta é não apenas superior, mas também mais propensa a receber apoio governamental. No entanto, sua proposta envolve financiamento de fundos soberanos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar, o que levanta preocupações sobre antitruste e financiamento estrangeiro. A Netflix destacou que esse financiamento deve ser examinado de perto por reguladores internacionais, incluindo o Comitê sobre Investimentos Estrangeiros nos Estados Unidos (CFIUS).
O cenário se torna ainda mais complexo com a possibilidade de que a batalha regulatória por qualquer um dos acordos possa ser decidida, em grande parte, no mercado europeu. A Netflix acredita que sua posição consolidada e confiável na Europa pode facilitar a aprovação do acordo. Sarandos também negou as alegações de que a Paramount teria uma vantagem regulatória, afirmando que a Netflix é uma entidade conhecida e confiável entre os reguladores europeus.
À medida que as negociações se desenrolam, tanto a Netflix quanto a Paramount estão se preparando para um processo que pode ser longo e repleto de obstáculos regulatórios. O desfecho dessas conversas pode não apenas moldar o futuro dessas empresas, mas também ter um impacto significativo no panorama do entretenimento e do streaming.
