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Lula recusa socorro federal ao BRB e ignora pressão do centrão

Lula recusa socorro federal ao BRB e ignora pressão do centrão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a decisão de não autorizar uma ajuda do governo federal para salvar o BRB (Banco de Brasília). A tentativa de lideranças do centrão de abrir um canal direto no Palácio do Planalto para a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), não teve sucesso.

Celina, da oposição ao governo federal, pediu ajuda ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para intermediar uma agenda com Lula. O presidente, porém, não recebeu a governadora e sinalizou que vai recusar o resgate federal do banco, de acordo com relatos obtidos nos últimos cinco dias pela Folha com pessoas a par das negociações.

Motta, que é amigo de Celina, falou com auxiliares de Lula sem sucesso para agendar o encontro. Aliados de Motta afirmam que o presidente da Câmara já avalia que a ajuda do Tesouro não vai sair mais.

O BRB vive um momento delicado após descumprir o prazo legal de 31 de março para publicar suas demonstrações financeiras de 2025. A instituição alegou a necessidade de concluir uma auditoria forense após perdas bilionárias em operações com o Banco Master, o que deixou o mercado sem conhecer o tamanho real de seu rombo financeiro.

Na conjuntura em que um pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), se vê envolvido no caso “Dark Horse” com o dono do Master, Lula tem sido aconselhado a ficar ainda mais distante do BRB. O escândalo estará na pauta do PT na campanha presidencial diante das relações entre o filho de Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O novo episódio do caso reforçou a avaliação de Lula e auxiliares de que não deve ajudar o BRB. A movimentação do centrão contou com o apoio nos bastidores do Planalto do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), ex-líder do governo na Câmara. O ministro, próximo ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), afirmou na primeira coletiva no cargo que era contrário a um socorro do governo Lula.

O BRB assumiu prazo até 29 deste mês para fazer o aporte de capital e publicação do balanço com o registro de prejuízos após compra de carteiras de crédito fraudadas e ativos com preço maior do que o valor real pertencentes ao Master. A nove dias do prazo, o comando do BRB não deu nenhuma sinalização oficial.

O banco enfrenta problemas de liquidez de caixa e vem vendendo ativos. As operações têm sido insuficientes para equilibrar a situação, de acordo com pessoas ouvidas pela Folha na condição de anonimato. Até o dia 29, o BRB espera receber R$ 3 bilhões do fundo de investimentos gerido pela Quadra Capital referente a venda de ativos que tiveram origem no Master. O BRB já recebeu R$ 1,2 bilhão do fundo, segundo um integrante do banco.

O presidente do BRB, Nelson Souza, afirma a interlocutores que o aumento de capital será feito no prazo. Uma operação com novos instrumentos de garantia para o empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) e de um consórcio de grandes bancos está sendo organizada, além da securitização de dívida ativa. Integrantes de grandes bancos avaliam, no entanto, que mesmo que consiga resolver o problema no curto prazo, o BRB tem poucas condições de evitar uma intervenção do BC pelo tamanho do rombo.

Uma notícia ruim para o BRB foi a decisão do TJDF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) de encerrar o contrato com o banco, no último dia 14 de maio. Os depósitos judiciais do tribunal eram uma fonte de recursos importante para o caixa da instituição. O risco é de outros TJs seguirem o mesmo caminho. Os novos depósitos judiciais do TJDF passaram a ser direcionados para a Caixa.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou a parlamentares do DF nesta quarta-feira (20) que a situação do BRB está sendo avaliada diariamente. Galípolo disse que o prazo legal terminou em 31 de março para companhias de capital aberto e foi descumprido pelo BRB. Segundo deputados, o presidente do BC afirmou que medidas complementares à multa aplicada pelo desrespeito ao prazo legal independem da apresentação do balanço até o fim do mês.

Os deputados são contrários à privatização e à liquidação do BRB pelo BC. A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) disse que a bancada do DF quer salvar o banco, mas não vai aceitar que o governo Celina Leão transfira a responsabilidade para o governo Lula.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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