O dólar à vista fechou em baixa de 0,40% nesta segunda-feira, cotado a R$ 5,0227, impulsionado pela valorização do petróleo, apesar do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A moeda norte-americana chegou a atingir a mínima de R$ 5,0122 durante o pregão. No ano, as perdas do dólar somam 8,50%.
O dia foi marcado pelo anúncio do Irã de suspender as conversas com os Estados Unidos, em protesto aos ataques de Israel a bases do grupo Hezbollah no Líbano. Autoridades iranianas emitiram alerta para que moradores do norte de Israel deixassem a região. A escalada retórica elevou os preços do petróleo, com o contrato do Brent para agosto encerrando a US$ 94,98 o barril, alta de 4,24%.
O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, afirmou que há dois vetores atuando sobre o câmbio: o aumento da aversão ao risco, que prejudica divisas emergentes, e a alta do petróleo, que beneficia o Brasil. A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, disse que o real se apreciou porque o Brasil é exportador líquido de petróleo, e a piora das projeções de inflação no Boletim Focus aumenta a expectativa de juros elevados, atraindo capital externo.
O peso colombiano foi o destaque entre as divisas emergentes, com alta de mais de 2,5% frente ao dólar, após o candidato de direita Abelardo de la Espriella ter desempenho forte no primeiro turno das eleições presidenciais. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou em alta moderada, rondando os 99,200 pontos.
O Ibovespa caiu pelo quinto pregão consecutivo, fechando em baixa de 0,91%, aos 172.197,46 pontos, menor patamar desde 21 de janeiro. O giro financeiro foi de R$ 28,4 bilhões. A economista Bruna Centeno, da Blue3 Investimentos, destacou que o contexto global incerto se reflete na curva de juros, no câmbio e na Bolsa. A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos também preocupa.
As taxas dos juros futuros subiram, com o DI para janeiro de 2027 indo a 14,205% e o DI para janeiro de 2029 saltando a 14,06%. A escalada do petróleo e a deterioração das expectativas inflacionárias no Focus, com a mediana para o IPCA de 2026 passando de 5,04% para 5,09%, pressionaram o mercado. A curva passou a precificar cerca de 70% de chance de corte de 0,25 ponto na Selic em junho, com a taxa terminal em 14,25%.
