Dentro das normas vigentes da fidelidade partidária, imagina-se que as tradicionais “dobradinhas”, alianças entre candidatos a deputado federal e a deputado distrital ou estadual, ocorram entre candidatos da mesma legenda. No entanto, não é o que acontece no mundo real e não é o que está ocorrendo agora, de forma cada vez mais ostensiva.
Há dez dias, uma festa em Planaltina registrou o acordo entre o único deputado federal do MDB brasiliense, Rafael Prudente, e o distrital Pepa, nome eleitoral de Pedro Paulo, do PP. Pepa é o líder da governadora Celina Leão na Câmara Legislativa, e Rafael Prudente tem sido citado como eventual adversário da própria Celina, caso o MDB ainda opte por candidatura própria ao Buriti.
A última novidade foi a parceria feita entre o ex-secretário de Governo, José Humberto, também do MDB, e o ex-distrital Cláudio Abrantes, que tenta retornar ao cargo. Abrantes andou pelo PT no passado, mas se filiou ao PSD, hoje com José Roberto Arruda, e ao União Brasil. José Humberto já participou de três governos diferentes, inclusive de Ibaneis Rocha, e tem agora sua primeira campanha eleitoral própria.
Essas alianças entre candidatos de partidos diferentes mostram como a prática eleitoral no Distrito Federal muitas vezes ignora os limites impostos pela fidelidade partidária. As chamadas “dobradinhas” são estratégias comuns para aumentar o alcance de votos, mas a união entre siglas rivais ou de oposição tem se tornado cada vez mais frequente e explícita nos últimos dias.
