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Magalu foca em margens e inteligência artificial

O Magalu registrou um lucro líquido ajustado de R$ 124 milhões no trimestre, valor que representa uma queda de 10,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado, no entanto, ficou acima do esperado pelo mercado, que previa R$ 55,7 milhões, e foi beneficiado por créditos tributários.

De acordo com o CEO Fred Trajano, o desempenho foi consequência de uma decisão da empresa de concentrar esforços em segmentos e canais com maior rentabilidade. Essa estratégia impactou diretamente o marketplace, onde as vendas de terceiros (3P) recuaram 11,7%. A queda é atribuída principalmente à redução de produtos com menor valor agregado.

Em contrapartida, as vendas nas lojas físicas já existentes, a chamada same-store sales, apresentaram crescimento de 8,4%. “Crescemos onde a gente acreditava que tinha mais contribuição positiva – e onde tinha mais contribuição positiva no ano passado era em loja física”, afirmou o executivo.

A receita líquida da companhia somou R$ 11,1 bilhões, com um avanço de 3,4% em um ano, ficando em linha com as expectativas. O EBITDA ajustado subiu 2,5% no trimestre, alcançando R$ 867 milhões, enquanto o consenso do mercado era de R$ 833 milhões.

Fred Trajano, que completou dez anos como CEO, declarou que a empresa inicia um novo ciclo estratégico, com foco principal em Inteligência Artificial (AI). Esta nova fase surge após um período de construção do ecossistema da companhia nos últimos cinco anos.

O objetivo agora é extrair valor dos ativos já criados, como MagaluPay, Magalog, Magalu Cloud, KaBuM!, Netshoes e Época Cosméticos, buscando ampliar a rentabilidade e a integração entre essas operações. Para o CEO, a vantagem competitiva do Magalu está na capacidade de unir lojas físicas, comércio eletrônico e serviços em uma mesma infraestrutura.

A ideia é aplicar essa lógica a outras empresas do grupo, dando mais espaço nas lojas físicas para produtos da KaBuM! e Época, por exemplo. A empresa também planeja retomar a abertura de lojas, especialmente no formato Galeria Magalu, que reúne diferentes negócios da companhia em um único espaço. A rede fechou o ano com 1.246 lojas.

Fred apontou a agentic AI como a maior oportunidade, pois a jornada de compra online deve migrar de um modelo baseado em busca para uma experiência mais conversacional, guiada por agentes de IA. Por isso, a empresa deve expandir seu AI commerce.

Segundo ele, 58% das pessoas no Brasil já utilizam IA e, dentre essas, 60% estão abertas a usar assistentes virtuais para fazer compras. O WhatsApp da Lu, avatar virtual da empresa, tem taxa de conversão três vezes maior que a de outras verticais e um NPS de 83 pontos. Cerca de 3 milhões de pessoas já usaram a plataforma. “Sem dúvida a evolução mais significativa que eu vi nesses 25 anos de ecommerce é a que estamos vivendo agora”, disse Fred.

O novo ciclo também envolve reposicionar o ecommerce da companhia, priorizando produtos de marca e um nível de serviço mais elevado. Fred descreve esse modelo como um “brand place”, com maior curadoria de vendedores e foco em categorias onde o Magalu tem diferencial.

A estratégia, segundo ele, é equilibrar crescimento e rentabilidade, concentrando investimentos em áreas com maior contribuição positiva. Isso significa que a companhia está abrindo mão de participação de mercado para vender itens com margens mais altas. “A curadoria se dá no sentido de focar menos produtos unbranded, white labels, e mais produtos de marca, onde temos um grande diferencial”, explicou.

O CEO também demonstrou otimismo com o crescimento da Luizacred, um dos pilares para diversificar a receita e reduzir a dependência do varejo. No ano passado, a Luizacred lucrou R$ 525 milhões com um ROE de 25%. O negócio é uma joint venture igualitária com o Itaú Unibanco.

A maioria dos clientes mantém os pagamentos em dia. O índice de inadimplência entre 15 e 90 dias (NPL 15) foi de 2,4% em dezembro, uma melhora de 0,3 ponto percentual. Já os atrasos superiores a 90 dias (NPL 90) ficaram em 7,5% no fim do ano, recuando 0,6 p.p.

“Estamos apostando que esse negócio vai continuar crescendo, principalmente aumentando a penetração no online, porque a penetração é alta em loja e no online é baixa”, afirmou Fred.

Para o primeiro semestre, o CEO acredita que o Magalu ainda enfrentará um mercado mais turbulento, mas a Copa do Mundo pode trazer surpresas positivas, aumentando a venda de produtos com boa rentabilidade, como televisores. A perspectiva para o segundo semestre é mais otimista, especialmente com a expectativa de queda na taxa de juros.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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