O Brasil aguarda a publicação da sentença da Corte de Cassação da Itália para entender os motivos que levaram à rejeição do primeiro pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP). A decisão, tomada na noite de sexta-feira (22), anulou a autorização para a entrega de Zambelli ao Brasil, onde ela cumpriria uma pena de dez anos de prisão.
Envolvidos no caso acompanham com expectativa a divulgação das justificativas do tribunal, que deve ocorrer nos próximos dias. A corte aceitou o recurso da defesa e anulou a sentença da Corte de Apelação, de março, que havia autorizado a extradição. Com isso, o pedido foi encerrado e não há possibilidade de recurso por parte do Brasil.
Poucas horas após a decisão, Zambelli deixou o presídio onde estava há quase dez meses. Segundo apuração, ela passou a primeira noite em Roma, no local onde está hospedado seu marido, o coronel Aginaldo.
O embaixador brasileiro na Itália, Renato Mosca, afirmou que aguarda as alegações da decisão para entender a mudança de entendimento. “Até então, a Corte de Apelação tinha dado pareceres favoráveis à extradição, e a Corte de Cassação normalmente acompanha esse entendimento”, disse. Mosca afirmou que a decisão foi recebida com naturalidade pelo Itamaraty e pelo governo brasileiro.
No comunicado enviado aos advogados, os juízes declararam a “inexistência de condições para a aceitação do pedido de extradição”, sem explicar as razões. O deputado italiano Angelo Bonelli, da oposição, afirmou que a Cassação entende que não há condições no Brasil para a detenção de Zambelli, seja por condições desumanas ou por questões de saúde.
Zambelli ainda é alvo de um segundo pedido de extradição, referente a uma condenação de cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo. O recurso da defesa deve ser julgado pela Corte de Cassação em cerca de 30 dias.
